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A Relação Médico-Paciente

 

Sentimentos de Pacientes Terminais para com Médicos

(para estudantes que estão construindo a personalidade médica)

 

Se você tem 53 anos (como eu) você já morreu 53 anos.

O corpo material, a paisagem material, o Universo material[,] transmutam a cada momento.

Como Heráclito (o filósofo) disse: vc não entra no mesmo rio duas vezes. Na segunda vez, já é outro rio.

Assim, a natureza material é temporária e fonte de ansiedades[,] justamente porque essencialmente somos anti-matéria, almas eternas.

No épico Maha Bharata existe um diálogo entre o superintendente da morte e seu filho: [Pergunta:] "Qual é a coisa mais maravilhosa dentro deste mundo?" [Resposta:] "Todos os dias milhões de entidades vivas entram no reino da Morte. Ainda assim, aqueles que ficam aspiram por uma situação permanente. O que poderia ser mais assombroso que isto?"

O mundo material é um lugar onde repetidos nascimentos, doenças, velhiçe e mortes ocorrem.

Não existe posição permanente neste mundo material.


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Bem, porque vocês escolheram ser médicos?

 

Atitudes para com a Morte e o Morrer. "Quando um paciente está severamente doente, ele é muitas  vezes tratado como uma pessoa sem direito de opinião. Muito pouco é lembrado que uma pessoa doente também tem sentimentos, tem desejos e opiniões, e tem — o mais importante de tudo — direito a ser ouvida."


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"Bem, nosso presumido paciente agora chegou a sala de emergência. Ele será rodeado por enfermeiros ocupados, serventes, internos, residentes, um técnico de laboratório talvez lhe tire algum sangue, um técnico em eletrocardiograma que fará o cardiograma. Ele pode ser movido para o raio X e ele ouvirá casualmente opiniões sobre sua condição e discussões e perguntas para os membros de sua família. Ele aos poucos, mas seguramente está começando a ser tratado como uma coisa. Ele não é mais uma pessoa. Muitas vezes as decisões são feitas sem a sua opinião. Se ele tenta se rebelar ele será sedado e após horas de espera e admirado, se ele tem desistência, ele será empurrado à sala de operação ou unidade de tratamento intensivo e se torna um objeto de grande preocupação e grande investimento financeiro. [...]

[...] Ele talvez chore por descauso, paz e dignidade, mas ele receberá infusões, transfusões, uma máquina do coração, ou Tracheostomy se necessário. Ele pode desejar que uma única pessoa pare por um único minuto para que ele possa fazer uma única pergunta — mas ele terá uma dúzia de pessoas em torno do relógio, todos muito atarefados e preocupados com a velocidade do seu coração, pulso, eletrocardiograma ou funções pulmonares, suas secreções e excreções, mas não com ele como um ser humano. Ele pode desejar lutar, mas isto será uma luta inútil[,] uma vez que tudo isto está sendo feito na luta por sua vida, e se eles podem salvar sua vida eles podem considerar a pessoa mais tarde. Todos que considerarem a pessoa primeiro podem perder precioso tempo para salvar sua vida! Pelo menos isto parece ser racional ou a justificação por trás de tudo isto — ou é? [...]


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[...] Há razão para pôr esse assunto mecânico e aproximação despersonalizada para nossa própria defensiva? É essa aproximação nossa própria meneira de aguentar e reprimir as ansiedades que um paciente terminal ou gravemente enfermo evoca em nós? É a nossa concentração nos equipamentos, na pressão sanguíneua, nossa desesperada tentativa de negar a morte iminente, o qual é tão assustadora e desconfortável para nós que nós colocamos todo nosso conhecimento nas máquinas, uma vez que elas estão menos próximas de nós que o sofrimento rosto sofrido de um outro ser humano, o qual faria lembrar-nos uma vez mais nossa falta de onipotência, nossos próprios limites e fracassos e, por último mas não menos importante, talvez nossa própria mortalidade? [...]

[...] Talvez a pergunta tenha que ser levantada. Estamos nos tornando menos ou mais humanos? [...]

[...] Embora este livro não [ilegível] que ser julgados, está claro que qualquer que seja a resposta, o paciente está sofrendo mais — não fisicamente talvez, mas emocionalmente. E suas necessidades não têm mudado através dos séculos, mas somente nossa habilidade para satisfazê-los." [ilegível]

Algumas terapias usadas na luta contra o câncer são tão potentes que os pacientes temem os efeitos colaterais do tratamento tanto quanto a doença em si.

Várias experiências que nos eram extremamente dolorosas, a nós e a nossos pacientes, fizeram com que examinássemos o nosso ponto de vista com relação à morte e nos ensinaram a necessidade de indicar aos nossos pacientes o direito que tinham de assumir o controle não só de sua vida, como também de sua morte.

NOTE: Transcrição exata. Sublinhamentos e correções são do texto original escrito à mão.

 

Parte 5: Aceitações

 

 

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